21.4.10
3.4.10
YOU KNOW WHO'S BACK UP IN THIS MOTHERFUCKER!!!
Tô de volta, bitches.
Resumindo:
"Essa é a vida, gostosa e divertida." - Beijosnãomeliga!
Resumindo:
"Essa é a vida, gostosa e divertida." - Beijosnãomeliga!
2.4.10
Ela ficou tão diferente com o passar do tempo.
Entregou-se ao seu próprio mundo, criado a partir de desenhos e sonhos. Pensava muito no amanhã, embora não admitisse. Deixou as flores de lado, os longos cabelos já não arrumava, deixou as roupas coloridas, os brincos de pérola, a pele alva, os velhos amigos, os velhos planos. E queria muito tudo isso de volta, embora não admitisse.
Às vezes sorria.
Ela erguia a cabeça e fitava a todos como se fossem marionetes do seu circo, mas sabia que não era bem assim. Na verdade, ela era a marionete. Não encontrava-se em ambiente algum, não pertencia a lugar algum, não tinha vínculo ou raíz alguma. E foi apodrecendo como as árvores cortadas pela metade, pois tinha sido cortada também, e a metade que lhe arrancaram era a melhor que havia nela.
Às vezes chorava.
Nunca fora forte o suficiente para fingir por tanto tempo. Uma hora ela desmoronava nos braços de alguém e dava até pena vê-la tão perdida, tão encolhidinha, tão mulher e tão menina que corre de noite pra debaixo das cobertas dos pais, temendo o escuro e os relâmpagos. Dava pena saber que havia tanta angústia e medo num coração só - como poderia?
Era um absurdo ver seus olhos quase cor-de-mel perderem o brilho, tornarem-se só pupila; seu sorriso perfeito ficar estagnado; sua voz suave que cantarolava por aí a fora perder o timbre e balbuciar algumas palavras desconexas.
Às vezes nada.
Também era estranho sentir-se alheia à tudo. Enterrar as mágoas, enterrar o amor que era tão imenso (quando o teve), enterrar o que lhe fazia mal e ir se arrastando para os dias que chegavam, sem vontade, com vontade, triste, alegre. Rotina não era a sua praia.
De tanto arrastar-se ela foi se desgastando, dilacerando. Tipo quando amarram alguém em um carro e arrastam por quilômetros e quilômetros até não sobrar nada. Foi assim, mas de um jeito muito lento, lentíssimo.
Nesse crime brutal, primeiro foram-se as flores; depois os longos cabelos; a cada curva, uma peça de suas roupas coloridas; a cada lombada, os brincos de pérola; a cada buraco, um pouco de sua pele alva, então, a cada vez que batia a cabeça contra o asfalto duro e sujo, os velhos amigos, os velhos planos.
Ela ficou tão morta com o passar do tempo.
Entregou-se ao seu próprio mundo, criado a partir de desenhos e sonhos. Pensava muito no amanhã, embora não admitisse. Deixou as flores de lado, os longos cabelos já não arrumava, deixou as roupas coloridas, os brincos de pérola, a pele alva, os velhos amigos, os velhos planos. E queria muito tudo isso de volta, embora não admitisse.
Às vezes sorria.
Ela erguia a cabeça e fitava a todos como se fossem marionetes do seu circo, mas sabia que não era bem assim. Na verdade, ela era a marionete. Não encontrava-se em ambiente algum, não pertencia a lugar algum, não tinha vínculo ou raíz alguma. E foi apodrecendo como as árvores cortadas pela metade, pois tinha sido cortada também, e a metade que lhe arrancaram era a melhor que havia nela.
Às vezes chorava.
Nunca fora forte o suficiente para fingir por tanto tempo. Uma hora ela desmoronava nos braços de alguém e dava até pena vê-la tão perdida, tão encolhidinha, tão mulher e tão menina que corre de noite pra debaixo das cobertas dos pais, temendo o escuro e os relâmpagos. Dava pena saber que havia tanta angústia e medo num coração só - como poderia?
Era um absurdo ver seus olhos quase cor-de-mel perderem o brilho, tornarem-se só pupila; seu sorriso perfeito ficar estagnado; sua voz suave que cantarolava por aí a fora perder o timbre e balbuciar algumas palavras desconexas.
Às vezes nada.
Também era estranho sentir-se alheia à tudo. Enterrar as mágoas, enterrar o amor que era tão imenso (quando o teve), enterrar o que lhe fazia mal e ir se arrastando para os dias que chegavam, sem vontade, com vontade, triste, alegre. Rotina não era a sua praia.
De tanto arrastar-se ela foi se desgastando, dilacerando. Tipo quando amarram alguém em um carro e arrastam por quilômetros e quilômetros até não sobrar nada. Foi assim, mas de um jeito muito lento, lentíssimo.
Nesse crime brutal, primeiro foram-se as flores; depois os longos cabelos; a cada curva, uma peça de suas roupas coloridas; a cada lombada, os brincos de pérola; a cada buraco, um pouco de sua pele alva, então, a cada vez que batia a cabeça contra o asfalto duro e sujo, os velhos amigos, os velhos planos.
Ela ficou tão morta com o passar do tempo.
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