28.1.10

"Toda noite ela diz pra eu não me afastar
Meia noite ela jura eterno amor
E me aperta pra eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor..."

Essa música não precisa de comentários adicionais...

É isso aí, D2, o momento é de caos
A população tá bolada, eu também tô bolado

Numa cidade muito longe, muito longe daqui
Numa cidade muito longe, muito longe daqui
Que tem problemas que parecem os problemas daqui
Que tem favelas que parecem as favelas daqui

Existem homens maus, sem alma e sem coração
Existem homens da lei, com determinação
Mas o momento é de caos porque a população
Na brincadeira sinistra de polícia & ladrão,
Não sabe ao certo quem é, quem é herói ou vilão
Não sabe ao certo quem vai, quem vem na contra-mão
É... não sabe ao certo quem é, quem é herói ou vilão
Não sabe ao certo quem vai, quem vem na contra-mão


Porque tem homem mau que vira homem bom
Porque tem homem mau que vira homem bom
Quando ele compra o remédio, quando ele banca o feijão
Quando ele tira pra dar, quando ele dá proteção...
Porque tem homem da lei que vira homem mau
Porque tem homem da lei que vira homem mau
Quando ele vem pra tirar, quando ele caga no pau
Quando ele vem pra salvar e sai matando geral...

É, parceiro, e é ai que a chapa esquenta
É nessa hora que a gente vê quem é fiel...
Mas tanto lá como cá, ladrão que rouba ladrão
Não tem acerto ou pedido
Errou? Errou? Errou, não tem perdão
Quem fala muito é x-9 e desses a gente tem de montão
Mas o "x" do goverto está na corrupção
Um dia o bicho pegou, o coro comeu
Polícia e bandido bateram de frente
Aí, meu cumpadi, aí tu sabe, aí foi chapa quente

Bateu de frente um bandido e um sub tenente, lá do batalhão
Foi tiro de lá e de cá, balas perdidas no ar
Até que o silêncio gritou, dois corpos no chão, que azar
Feridos na mesma ambulância, uma dor de matar
Mesmo mantendo a distância não deu pra calar

Polícia e bandido trocaram farpas, farpas que pareciam balas
E o bandido falou:
Você levou tanto dinheiro meu, e agora vem querendo me prender
Eu te avisei, você não se escondeu, deu no que deu e a gente tá aqui
Pedindo a Deus pro corpo resistir, será que Ele tá afim de ouvir?
Você tem tanta bazuca, pistola, fuzil e granada
Me diz pra que tu-tem-tan-ta-mu-ni-ção?

É que além de vocês, nóis ainda enfrenta um outro comando
Outra facção que só tem alemão sanguinário, um bando de otário
Marrento querendo mandar
Por isso que eu to bolado assim, eu também tô bolado sim
É que o judiciário tá todo comprado e o legislativo tá financiado
E o pobre operário, que joga seu voto no lixo,
Não sei se por raiva ou só por capricho

Coloca a culpa de tudo nos homens do camburão
E eles colocam a culpa de tudo na população...

E o bandido:
E se eu morrer, vem outro em meu lugar
Polícia:
E se eu morrer, vão me condecorar

E se eu morrer, será que vão chorar?
E se eu morrer, será que vão lembrar?

E se eu morrer? (já era...) E se eu morrer?
E se eu morrer? (foi...) E se eu morrer?


Chega de ser sub julgado
Sub traído
Sub bandido de um sub lugar
Sub tenente de um sub país
Sub infeliz... sub infeliz...

Mas essa história eu volto a repetir:
Aconteceu numa cidade muito longe, muito longe daqui
Numa cidade muito longe, muito longe daqui
Que tem favelas que parecem as favelas daqui
Que tem problemas que parecem os problemas daqui
É isso ai, Sapucaí...
Polícia ou bandido? Vai saber, né?
"... eu escrevo seu nome nele só pra demonstrar o meu apego."

26.1.10

I'm fucking alive

...
quase.

Os detalhes não são muito importantes agora. Só queria vomitar de uma forma lírica o que estou sentindo. E vomitar no literal, também.

Impotência - é essa a palavra. Sinto-me impotente diante dessa situação, dessa confusão, desses ãos, desse mundo inteiro. Fraca. Febril. Fevereiro bate à porta e eu ainda não sei que rumo minha vida vai tomar, ou que rumo tomarão por ela.
Saudades de muitas pessoas, algumas eu nem cheguei a conhecer bem but anyway.

Estou em casa. Me acomodei na velha cadeira, com uma xícara de café e um cigarro, como sempre.
Conveniente.
Como sempre, conveniente. Não.
Então eu sentei com todas essas tranqueiras que, segundo o Borges, vão me matar e me senti incrivelmente... feliz. "Liberta", até as coisas mais triviais tornaram-se awesome.
Mas depois veio a angustia que está até agora me doendo na alma e na carne, como sempre.
Conveniente.

Hoje vou passar mais uma noite inteira tentando dormir, tentando esquecer, tentando responder um monte de perguntas sem conseguir - dormir, esquecer e responder. A diferença é que estarei na minha cama, debaixo do meu cobertor, apoiada no meu travesseiro, com os olhos secos debaixo da iluminação do meu lustre.
Depois? Eu não tenho a mínima ideia.

É isso
The time is gone
The song is over
Though I'd something more to say

.-.

3.1.10

Não consegui firmar o nobre pacto
Entre o cosmo sangrento e a alma pura
Gladiador defunto mas intacto
(... tanta violência, mas tanta ternura)

João Cabral de Melo Neto

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso.Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão.
Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
"Na verdade, não me excitou nem um pouco aquela língua passando em volta do meu pescoço, como se quisesse sugar alguma coisa que ainda não tinham sugado, tentando aflorar em mim um desejo enterrado a partir daquele instante. Nem mesmo aquelas mãos tentando tocar todas as partes do meu corpo. Homens não sabem mais como tratar uma mulher de verdade, acham que é assim: beija, come e cospe o resto. Não é resto, não é como as coisas funcionam. Meu pavio é curto, nessas horas ou eu digo passivamente 'preciso ir embora' ou dou um soco no cara. A menos que eu esteja no clima e queira entrar na brincadeira também, porque uma parte de mim ainda é charlatã, sem vergonha e sem pudor..."

2.1.10

Ando me escorando nas paredes
e do nada tenho vertigens horrorosas

a saude, ó

:)