5.9.10

Muito leve, leve, pousa...

Era outra noite qualquer, o mesmo canto, os mesmos rostos. E o esforço pra contentar-se com o marasmo das sextas-feiras. Havia algumas pessoas importantes lá, tombando, rindo, gritando; mas nem uma delas, por mais que quisessem chamar atenção, brilhava tanto quanto o garoto que mal abria a boca. Ele só não passava despercebido em razão do tom pálido da pele e do corpo extremamente magro, denunciando uma possível grave doença. Quem se importa? Eu dei um salto, senti meus pés fora do chão por horas, pulei a 70 mil deles. O ar rarefeito me levou para o outro lado do país, para as praias desertas que já não estariam desertas quando nós dois deitássemos na areia branca, não sei se ele toca violão, não tem problema, eu tocaria Beatles na hora do pôr-do-sol e não precisaria de outras coisas além de música, câmeras e água de côco. Por um segundo, cai em mim e percebi que estava, novamente, planejando um futuro com alguém que, à respeito da vida, eu nada sabia, vai ver não sabia nada da minha também. Ainda de olhos fechados, senti o calor de João Pessoa e o aconchego de São José de Piranhas - eu estava em casa, e estava apaixonada.

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